Dicas de Expatriados – Tudo novo em Dublin

Hoje, nosso bate-papo na coluna Dicas de Expatriados é com a capixaba Polyana, que largou tudo no Brasil há 3 anos para recomeçar sua vida em Dublin, na Irlanda. A Polyana estava saturada do seu trabalho no Brasil, quando viu uma oportunidade de conhecer novas culturas através de um intercâmbio… E lá já começou a criar raízes. Confira nossa entrevista inédita para te inspirar 😉.

dicas de expatriados - Dublin

Dicas de Expatriados – Tudo novo em Dublin

1 – Por quê ir embora e recomeçar a vida em outro país? Quanto tempo você mora fora?

Eu sai do Brasil há 3 anos (completando dia 30/10). A principio queria melhorar o meu inglês e ter um experiencia no exterior, e quando eu voltasse para o Brasil da um restart na minha carreira. Eu era funcionaria pública, mas odiava o que eu fazia e queria novos desafios, mas a comodidade de um serviço público não me dava essa “coragem”. Minha vida estava “estacionada” e a minha rotina bem entediante. Sempre quis conhecer o mundo e cada vez que eu saia para trabalhar esse sonho só crescia dentro de mim.

2- Quais foram os principais fatores que te levaram a tomar a decisão?

Eu estava tendo varias crises intercaladas de depressão e ansiedade por conta do trabalho, não estava feliz e queria mudar. Então, antes de começar um novo trabalho decidi fazer um intercâmbio antes.

3- Como foi o processo e escolha do intercâmbio? Conta um pouco como foi, a preparação e tudo mais sobre essa etapa.

Eu escolhi a Irlanda justamente pela facilidade de visto de estudo + trabalho para brasileiros. Na época o visto era de 6 meses de curso e trabalho por 20 horas semanais + 6 meses de férias com direito a trabalhar 40 horas semanais, ou seja, 1 ano de intercâmbio. Para mim seria perfeito, pois trabalhando eu poderia pelo menos cobrir os gastos que tive para ir.

Quando já estava tudo certo para o intercâmbio, um tio me lembrou que tínhamos descendência italiana e que ele já até tinha começado o processo para obter a cidadania há muitos anos atrás, mas tinha desistido e ele poderia me dar os documentos para eu decidir o que fazer.

Quando ele me passou a documentação (que ele nem se lembrava mais o que tinha), era tudo que eu precisava para dar entrada para cidadania (todas as certidões do italiano até a minha avó já retificadas). Nossa, fiquei tão feliz e mudei todos os planos. Decidi antes de ir para Irlanda, ir para Itália requerer a minha cidadania, pois é mais rápido que no Brasil. Fiquei morando na Itália por quase 3 meses e sai de lá como cidadã italiana, podendo morar, trabalhar e estudar em qualquer país da Europa, sem burocracias e com todos os direitos do cidadão do país.

Como o curso de inglês na Irlanda já estava pago e eu já tinha pesquisado tudo por aqui, decidi vir para melhorar meu inglês e depois decidi onde morar por mais tempo, já que tinha a Europa inteira de opções.

4 – Como foi sua adaptação por aí?

Dublin é uma cidade bem cosmopolita e com muitos brasileiros. Então a adaptação não foi muito difícil, pois eu não me sentia um “peixe fora d’água” aqui. Brasileiros se ajudam bastante e tive muita sorte de encontrar ótimas pessoas por aqui.

Como eu vim com um inglês intermediário, conseguia me virar com as coisas mais básicas, então a linguá não foi uma dificuldade tão grande. A questão de ter cidadania também ajudou muito, no meu primeiro mês já consegui um emprego “full time” num call center, onde eu atendia, por telefone, clientes do Brasil e quase toda a equipe era de brasileiros. Nunca precisei fazer nenhum trabalho que não fosse em um escritório (mas vim disposta a trabalhar no que aparecesse por um tempo).

Me sentiria em casa, se não fosse pelo clima e o frio, heheheheeh. Esse sim foi muito difícil de me adaptar. Sair do calor de Vitória e lidar com a chuva, o frio e o vento daqui da Irlanda foi muito difícil. Alias, ainda é. Os dias cinzentos me deprimem bastante☹. Mas sempre que me sinto deprimida, lembro dos prós e contras, e no final fico  muito grata e agradecida de poder viver aqui, pois é um país incrível (apesar de reclamar MUITO, hehehehehe).

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5- Sofre/ ou sofreu algum tipo de preconceito por ser estrangeiro?

Dublin é uma cidade muito aberta para estrangeiros, pois o governo tem incentivo fiscal para grandes empresas multinacionais se instalarem aqui, trazendo muitos investimentos e empregos para o país. Então aqui acabou virando head office europeu de diversas grandes empresas, principalmente de tecnologia, como Google, Facebook, Microsoft, Apple, LinkedIn, Oracle, Amazon eBay, além de empresas da área financeira e farmacêutica. Por conta disso, a cidade exporta muita mão-de-obra estrangeira por aqui. É comum andar nas ruas, principalmente no centro da cidade e ver mais estrangeiros que Irlandeses. No comércio é muito comum ser atendido por um estrangeiro, o motorista do ônibus ou o taxista também ser um expatriado.

A maioria dos irlandeses também são bem educados e abertos em relação a isso. Sabem dos benefícios que isso tem trazido para o país deles.

Eu tive a sorte de nas 2 empresas que eu trabalhei serem multinacionais, com equipes multiculturais onde prezam muito por respeito a cultura, raça, sexualidade e as peculiaridades de cada pessoa que ali trabalha. No meu dia-a-dia não sinto preconceito nem em relação a ser estrangeiro e nem por ser mulher e nem por ser negra.

É claro que em qualquer lugar o mundo existem pessoas preconceituosas e desrespeitosas. Já passei por algumas situações desagradáveis aqui na Europa, mas isso não faz parte do meu dia-a-dia e não preciso lidar com isso sempre. E não é nada que eu já não tenha passado ou tenha que lidar no Brasil (que infelizmente é, na minha opinião e experiência, mais preconceituoso que aqui).

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6- Como você vê o lugar onde mora? Se arrepende da decisão de ter largado carreira, família e amigos no Brasil e começar tudo novamente no exterior?

Eu acho que as diferenças sociais aqui são menores e bem menos visíveis que no Brasil. Aqui está longe de ser um lugar perfeito, mas se comparado, as condições são mais humanas e dignas. Com um salário minimo, qualquer pessoa vive com dignidade e com o básico para se viver bem.

Não me arrependo nem por um segundo de ter largado meu trabalho no Brasil, atualmente estou trabalhando num lugar muito melhor, exatamente na área que eu queria e gosto e minha carreira está crescendo bem rápido. Nunca esperaria que no exterior seria mais fácil que no meu próprio país de se fazer uma carreira. Começar a vida aqui foi muito fácil. Em 3 anos aqui já tenho inglês fluente, uma pós-graduação concluída e um emprego na minha área.

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7- O que sente falta do Brasil?

A família e dos amigos sinto muita falta. Tenho muita vontade trazer meus pais para morarem aqui comigo e dar uma vida melhor para eles. Quem sabe num futuro. Meu irmãos já estão bem inclinados de imigrarem para cá e to torcendo para isso acontecer :D O meu gato já trouxe, hehehehehe. Espero que todos venham aos poucos.

Apesar de ter muitos amigos aqui em Dublin, que se tornaram uma familia para mim aqui, os amigos do Brasil são insubstituiveis. Meus amigos fazem muita falta. Mas um skype ou uma ligação ajuda a matar um pouquinho da saudade.

Sinto muita falta também de opções para se divertir. Como aqui chove demais, as atividades são todas “indoor” nos 9 meses de frio mais intenso ☹. Os 3 meses de verão são bem intensos. O sol, o calor e usar roupas mais leves um chinelinho faz falta demais.

A comida, como tem muito brasileiro por aqui, a gente dá um jeito. As festa também, tem sempre um funk, sertanejo e pagode rolando em algum lugar por aqui para quando bate aquela vontade, hehehehe.

Se você me perguntasse do que não sinto falta a lista estaria bem maior…

8 – Quais as principais diferenças entre a cultura de um lugar e outro?

Como eu tenho pouco contato com o povo Irlandês, talvez a minha impressão seja bem superficial, mas acho que apesar do povo aqui serem educados e tolerantes, são mais frios. Eles bebem MUITO mais que a gente, os relacionamentos são mais devagar para acontecerem (não é como no Brasil que se vira “best friend” na primeira conversa), mas quando acontece é verdadeiro e pode contar com eles para qualquer coisa.

A diversão aqui é dentro de lugares fechados, diferente do Brasil.

Eu acho também que ainda é um país bem catolico, onde as leis e alguns comportamentos ainda são bem influenciados pela igreja, apesar das coisas estarem mudando aos poucos (como a aprovação por plebiscito para o casamento homossexual).

O governo acho mais focado no bem estar da população que no Brasil (nem precisa muito, né?!).

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9 – O que há de melhor e de pior na cultura local?

De pior eu acho a influencia da igreja que ainda é bem forte e não devia interferir tanto na vida das pessoas daqui. Nada contra uma pessoa ser religiosa, mas isso não deveria intervir nas leis locais. Outra coisa que odeio aqui, que eu não sei se é bem cultural ou politico, mas é o atendimento médico básico que é péssimo e privado. Uma outra coisa que é um caso bem particular da cidade de Dublin, é a questão de moradia. Como teve um “boom” de expatriados aqui nos últimos anos, o setor imobiliário não se preparou para isso, então os aluguéis são absurdamente caros e a estrutura das casas muitas vezes não valem a metade do preço que se paga. Além da dificuldade de se encontrar um lugar disponível, as entrevistas são tão elaboradas quanto uma entrevista de emprego. Atualmente está mais difícil conseguir um lugar para morar do que um emprego. Tem lugares que você vai ver que tem fila de pessoas dobrando o quarteirão para visitar o mesmo lugar.

De melhor eu acho que é o respeito as mulheres que se tem aqui. Muitas mulheres tem altos cargos em empresas, além de não existir muita diferença nos salários. O incentivo as mulheres a terem filhos também é bem grande. A violência aqui não é muito alta. Eu normalmente ando de madrugada pelas ruas sozinha. Claro que tenho alguns cuidados de não passar em regiões onde se tem uma criminalidade mais alta, mas evitando isso, andar nas ruas é tranquilo e no máximo que talvez aconteça é algum furto. Outros crimes acontecem, mas não é muito comum e corriqueiro, como no Brasil. A economia do pais também vai muito bem. É muito fácil conseguir um emprego aqui atualmente. Diferenças sociais não são tão grandes e todo cidadão tem direito a educação, só não estuda quem realmente não quer. Os benefícios sociais para a população também é muito bom. O governo tem diversos programas de suporte e inclusão para a população. A facilidade de viajar para outros países e conhecer outras culturas também uma boa vantagem. Aqui não se parcela compra de nada, desde que vim para cá as únicas contas que tenho para pagar são aluguel, eletricidade e internet. Comidas e roupas tem preços bem acessíveis e outras coisas se você tem dinheiro você compra, se não, espera ter. Os preços são bem justos (exceto do aluguél, como disse acima).

10 – O que é impagável na mudança de país?

A oportunidade de conhecer outras culturas, viajar para vários países, aprimorar outra língua, são impagáveis. Mas, o que me motiva mesmo a querer ficar é a sensação de segurança que tenho aqui. Fora a política que é mais inclusiva e menos corrupta.

11- Pretende voltar a viver no Brasil ?

Nunca direi que nunca voltaria, a gente não sabe do futuro, mas atualmente não tenho planos e não me vejo morando mais no Brasil. Seria muito difícil me readaptar ai, principalmente na atual situação politica e de segurança.

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